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    Comércio Internacional

    Margens entre FOB e CIF explicam o menor comércio regional

    9 de junho de 2026· 2 min de leitura

    Tradução do original em espanhol. Ler o original

    Ricardo Ignacio Beltramino

    Por

    Diretor do Pulso Internacional

    Margens entre FOB e CIF explicam o menor comércio regional
    Imagem ilustrativa · Pulso Internacional

    Quando observamos os diferenciais entre os preços FOB e CIF no comércio do Cone Sul, fica evidente que a geografia não constitui o único determinante dos custos comerciais internacionais. Os dados da OCDE para o período 1995-2022 revelam assimetrias logísticas que configuram um precedente preocupante para a competitividade regional, evidenciando que as margens comerciais respondem a fatores estruturais mais complexos do que a mera distância geográfica.

    A margem CIF/FOB reflete custos de frete e seguro que variam segundo a distância, o parceiro comercial e a estrutura logística, constituindo um indicador-chave para avaliar a eficiência das cadeias de suprimentos regionais e, em muitos casos, a viabilidade ou não das exportações.

    Paradoxos do comércio intrarregional sul-americano

    A análise do Chile que o relatório da OCDE destaca configura o caso mais revelador dessas assimetrias. Enquanto a teoria econômica tradicional sugere que os custos comerciais aumentam proporcionalmente à distância, os dados evidenciam que o comércio com a Argentina apresenta a maior margem entre os cinco principais parceiros do Chile, superando inclusive países extrarregionais (ver gráfico); ou seja, é mais barato para o Chile importar uma mercadoria da Alemanha do que da Argentina. Essa anomalia contrasta com o padrão observado nos Estados Unidos, onde as menores margens estão associadas ao Canadá (2%) e ao México (1,1%), de modo coerente com a proximidade geográfica e os marcos de integração do NAFTA.

    O paradoxo chileno-argentino é importante para avaliar a eficiência do MERCOSUL e dos acordos bilaterais vigentes. Quando a Alemanha (DEU no gráfico) apresenta a menor margem para o Chile, evidencia-se que as rotas marítimas consolidadas e a escala dos fluxos comerciais podem compensar a distância geográfica, estabelecendo um precedente que questiona as vantagens competitivas do comércio intrarregional sul-americano.

    A China como fator de reconfiguração logística

    A consolidação da China como parceiro comercial dominante na região demonstra que a diferença FOB/CIF não reflete apenas distância, mas também custos de transporte, seguros, rotas marítimas, escala e concorrência logística. Essa realidade exige considerar não somente os marcos tradicionais de integração regional e a proximidade geográfica, mas também a oferta de fretes baratos.

    Implicações para o comércio entre Argentina e Chile

    Se o Chile obtém margens mais eficientes com parceiros extrarregionais do que com a Argentina, evidencia-se a necessidade de uma revisão estrutural da infraestrutura logística bilateral e dos marcos normativos que regulam o comércio intrarregional.

    .

    Margens CIF/FOB por Parceiro Comercial
    2.0%
    EUA-Canadá
    1.1%
    EUA-México
    5.0%
    EUA-China
    7.0%
    Chile-China

    Diferenças nos custos comerciais evidenciam vantagens quando a integração regional está consolidada.

    Fontes

    1. "OECD Statistics Working Papers 2024/05"Andres Fiallos, Antonella Liberatore, Steven Cassimon OCDE — CIF-FOB Margins Report
    2. Comissão Europeia — Guia para a exportação de mercadorias

    Países que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) - Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Coreia (do Sul), Luxemburgo, México, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido.

    Ricardo Ignacio Beltramino

    Diretor do Pulso Internacional

    Advogado especializado em comércio internacional e investimentos produtivos, com mais de 25 anos acompanhando negociações comerciais internacionais como assessor de governos e de empresas em seu processo de internacionalização. No Pulso Internacional analisamos o comércio exterior com clareza e contexto internacional para que sua empresa exporte e invista mais.

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